A vida de alguém é limitada; a honra e o respeito duram para sempre.
Myamoto Musashi

quinta-feira

PREFÁCIO

O ato de criar.

Desde sempre existem entre nós alguns com essa capacidade divina.

No kardex universal ficam registradas suas criações, que passam a fazer parte do universo que conhecemos, sem esses “seres divinos”, estaríamos condenados ao marasmo e a estagnação.
Eles criam teorias que possibilitam a expansão do conhecimento, criam universos inteiros para nosso entretenimento, ampliam horizontes, alimentam nossos sonhos.

“A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.”
“A nossa civilização é em grande parte responsável pelas nossas desgraças. Seríamos muito mais felizes se a abandonássemos e retornássemos às condições primitivas.”
“Nunca ria de dragões vivos.”

São frases de Einstein, Freud e Tolkien, três exemplos desses seres criadores.

Assim como Nietzsche, filósofo, “demente”, que ao criar um olhar que nos faz desnudar nossa humanidade e a sociedade que vivemos, cunhou a frase:

“Deve-se falar somente quando não se pode calar e falar somente do que se superou: tudo o mais é tagarelice, literatura, falta de disciplina.”

Acredito que ele aprovaria essa versão:

Deve-se fazer arte somente quando se pode criar o novo, deixar pasmo o observador, a arte que ainda não foi feita: tudo o resto mais é remela, distração, falta de criatividade.

Obrigado Marcello Grassmann, você é um desses seres divinos.

Seu mundo já foi batizado e incorporado ao kardex universal, o mundo Grassmaniano, sempre a nos pasmar, surpreender e quando observamos sua obra, sentimos nosso cérebro se expandir, emoções primitivas são reveladas, certo ficamos da existência de dragões e o melhor, Grassmann não para de fazer arte.

CRIATURA

São olhos nos olhos
A criatura está lá
No labirinto de carne
Ela busca a saída
Quer o mundo do homem
O homem não se move
A criatura vai surgindo
O ritual é familiar
Sente a força crescendo
Falta coragem ao homem
A criatura não pode sair
O homem desvia o olhar
A criatura volta para a carne
O homem volta para o espelho

quarta-feira

BELO


Somos tantos
Espalhados ao acaso
Diferentes na aparência
Muitas cores e tamanhos
Uns tantos perfeitos
Tantos outros com defeitos
Imagem e semelhança de quem
Se há os belos e os há feios
Eu só queria ser belo
Como aquele rosto
Que um dia eu vi
Em uma gravura de Grassmann

terça-feira

METAMORFOSE


Quem viu meu Kafka
Hoje acordei GREGOR SAMSA
Lembro de quando li Metamorfose
A angustia de SAMSA
Sua dramática transformação
A indiferença aguda de todos
Sua morte, simples detalhe no fim
Cadê meu Kafka
Meus Lobatos, Assis e Lispectors
Fui transformado
Perdi meu tempo
TV, LAPTOP, IPOD
Tenho medo da metamorfose
Tragédia grotesca
Não quero morrer inseto
Quem viu minha alma

segunda-feira

FAMÍLIA


A mãe depois do filho
O marido depois do casamento
A avó depois do neto
A sobrinha depois da irmã
O filho depois do nascimento
A família antes de tudo
Nascemos amarrados

Sem filho a mãe morre
Sem casamento o marido morre
Sem neto a avó morre
Sem irmã a sobrinha morre
Sem nascimento a família morre
A família depois de tudo
Foi um nó desatado

domingo

DOIS


Aquele que descobre o amor
Amando a si próprio
Consegue viver em paz
Aquele que descobre o amor
Amando a dois
Consegue viver em êxtase
Para aquele que só tem o amor próprio
Um aquário
Para dois que se amam
Os sete mares
Um no aquário
Não faz ondas
Dois se amando
Tsunami

sábado

CAMINHO

Ah que pena
Mapearam o caminho
Invejo aqueles tempos sem mapas
As pessoas que não sabiam
Que viviam numa esfera
Foram tempos de aventura
Tempos de desbravadores
Saiam por um caminho
Sem saber se o mundo
Acabava depois do morro ou
Era infinito além do horizonte
Hoje todo mundo sabe o caminho
Andamos em círculos
Ah que pena

sexta-feira

DIABO


Senhor não me perdoe
Eu vou pecar
Madre Tereza foi muito boa
Mas eu quero a Marilyn Monroe
Conversar com Gandhi sobre paz
Prefiro Heningway e suas tragédias
Bater uma bola com Charles Miller
Eu quero Garrincha no meu time
Ficar vendo show de arpas
Sou guitarra elétrica e rock roll
Chá das cinco com a rainha Vitória
Vou tomar é uma cerveja com o Führer
Senhor o céu parece legal
Mas eu quero ir pro inferno
Diabo me carregue

quinta-feira

MORRER


Morrer não me assusta
Eu morro
Tu morres
Ele morre
Nós todos morremos
E a vida segue
O que me apavora
É a extinção
Quem vai rezar por nós
FIM

quarta-feira

BARCO


Subo em meu Barco
Sou capitão, espada na cinta
Sextante na mão
Olho para minha tripulação
Sereias querendo cantar
Monstros voltando para o mar
Atlantianos buscando seu lar
Velhos piratas prontos para pilhar
Até fantasmas querendo navegar
Levantar ancora
Vamos zarpar
E não vamos voltar
Você que passa por mim
Sem meu Barco notar
Pobre louco que não sabe nadar

terça-feira

SORRISO

Na sombra vermelha descanso
A batalha foi rápida, acabou
Não lutei, carreguei a bandeira
A vida foi rápida, passou
Sombras vermelhas em toda parte
Foi uma grande batalha
Milhares de homens lutaram
Eu carreguei a bandeira
Há morte em cada sombra vermelha
Uma prece aos que lutaram
Com coragem seguiram a bandeira
Na sombra vermelha
Segurando a bandeira
Meu último sorriso

segunda-feira

GRAVURA


A alma que sofre por ser única
Pasma na gravura de Grassmann

Da chapa escavada
Surge a gravura viva
Cada sulco revela uma verdade
Na ação do buril surge o cavaleiro
Nas mãos do impressor
Nasce a gravura

A alma sofre por ser única
O cavaleiro sofre por ser gravura

domingo

SOFRIMENTO


Minha alma sofre
Pelas crianças esquálidas, moribundas
Minha alma sofre
Pelas mulheres marcadas, escravas
Minha alma sofre
Pelos perdidos, viciados
Minha alma sofre
Pelos velhos doentes, abandonados
Minha alma tem raiva
Por sentir tanto sofrimento
Minha alma tem culpa
Por sofrer, sem nada fazer
Minha alma aceita
Fazer o que?
Basta do sofrimento da alma
Quero sofrer na carne
Vermes estou pronto


sábado

ANJO


Lúcifer o anjo caído
Expulso do paraíso por Miguel
Vive na Terra mundo dos homens
Homens que Lúcifer odeia
Roubaram-lhe o amor de Deus

Lúcifer anjo caído
Na Terra faz seu reino
Cria demônios para
Atormentar o homem
Disputa com Deus
Nossas almas imortais

Mas Deus ama o homem
Se Lúcifer cria demônios
Deus cria Grassmann
Para trazer ao mundo
Seu exercito de criaturas e cavaleiros
Matadores de demônios
Estamos salvos!

sexta-feira

FLOR


Ah meu amor
Porque me dá uma flor
A mais delicada criação
Que une o masculino e feminino
Quando em anthesis
O vento e animais espalham sua vida
Inspirou Van Gogh
Adornou a dama de Grassmann
Como é bela minha flor
Por ser bela foi ceifada colhida
Morta
Ah meu amor
Já não basta meu corpo
Postado nesse caixão
Porque me dá uma flor

quinta-feira

OSSOS

Sim linda donzela
Só me sobraram os ossos
Toda a minha carne
Ficou pelo caminho
Carcomida
Não tenho um coração
Batendo em meu peito
O único som que faço
Cloc, cloc, cloc
Ossos
Consegue me entender
Linda donzela
Cloc, cloc, cloc
Quero dizer
Te amo
Só consigo fazer
Cloc, cloc, cloc

quarta-feira

TRAÇOS

Desenhei muitos traços
Nenhum deles jamais
Viveu, emocionou
São meus traços
Estéreis, mortos
Se traço o contorno
Da mão no papel
Meu traço não se torna mão
Se com vários traços
Faço um desenho
Só traços vejo no papel
Então olho para traços
Feitos por Grassmann
Estão vivos, emocionam
Deus deve ser
Um grande desenhista

terça-feira

SANTA


Santa,
Santa,
Santa,
Santa gravura de Grassmann
Bendita sois entre as obras de arte
Bendita é a mão que a gravou
Bendito seja quem a criou
Bendito seja o impressor
Santa,
Santa,
Santa,
Santa gravura de Grassmann
Padroeira dos gravadores
Protetora dos impressores
Rogai por nós
Amém

segunda-feira

DANÇA


No big bang da criação
A dança
Espalhou-se pelo salão
Iluminada pelo Sol
A Terra dança com a Lua
Saturno dança com seus anéis
Caranguejos dançam

Na gravura de Grassmann
Até o homem

Aprendeu a dançar
Fred dançara
Eternamente com Ginger
Em meus sonhos
Danço com ela
Mas o homem também
Aprendeu a matar
Vamos dançar
Enquanto dançamos
O mal só pode olhar

domingo

RESTOS

Resta saber
O que fazer
Com os restos
Que carrego

Restos de sonhos
Restos de amores
Restos de saber
Restos de fé

Resta saber
O que fazer
Com a vida
Que me resta

Sonhar
Amar
Aprender
Acreditar

E quando nada restar
Restos mortais

sábado

QUIXOTE

Sou um bravo cavaleiro
E por deus lutarei contra
Todo o mal que encontrar
Não me falhe agora Rocinante
Fiel Sancho Pança
Entregue-me minha lança
Tremei criaturas do demônio
El hidaldo Dom Quixote
Está aqui para matá-las
Não sou um herói
Heróis não existem
Louco, sim estou louco
A loucura existe
Está em cada um de nós
Escondida, reprimida, perdida
A minha loucura encontrei
Na gravura de Grassmann
Estou louco, estou livre, estou vivo
Atacar

sexta-feira

CABEÇA

A cabeça que carrego
Carrega quem sou
Pensamentos
Conhecimentos
Na cabeça que carrego
Eu sonho
Eu crio
Eu vivo
Cabeça que me controla
Me mata e me desperta
Cabeça de monstro
Cabeça de cavaleiro
Cabeça, por fora
Vida normal
Cabeça, por dentro
Imensa escuridão

quinta-feira

MONSTRO


Vivemos num mundo
Onde homem e monstro
Nascem fundidos
Um só corpo, uma só vida
O homem é carne
Quer ser normal
Sobreviver num mundo
Controlado, programado
Indiferente, solitário
O monstro é alma
Quer um mundo para sentir
Ser livre, amar, sonhar
Vivemos num mundo
Onde o homem venceu
Matou o monstro
Ficou com o corpo
O monstro ascendeu
Vive na gravura de Grassmann

quarta-feira

ESPERANÇA

E com a esperança
Veio o homem ao mundo
Quando o primeiro macaco
Olhou para o horizonte
E sentiu a crença
De que seu futuro
Seria melhor do que o presente
Surgiu então o homem

Quando o homem
Expressou pela primeira vez
Arte na parede da caverna
Tornou-se divino
E quando Grassmann
Faz suas gravuras
Da para deus esperança
No futuro do homem

terça-feira

FIEL

Seu último olhar
Foi igual a todos
Com que sempre me olhou
Nele sempre encontrei
Meu fiel amigo
Agora que acabei de matá-lo
Desespero, descontrole, dor
Meu coração pesa como
Ancora em meu peito
Como será viver sem você
Fiel amigo
Aquele que me dava
O primeiro bom dia
E o ultimo boa noite
Ao seu lado sempre
Estive em paz
Agora só quero ser
Assombrado por você
Fiel cão

segunda-feira

ESPINHOS


A primeira vez
Tive medo
Minha pele nua
Você coberto de
Espinhos
Seu toque
Feriu minha carne
Senti a dor e então
Prazer inesperado
Agora já não vivo
Sem seu abraço
Sem a dor
Sem o prazer ansiado
Malditos sejam seus
Espinhos
Que dilaceram
Minha carne

domingo

GUERRA

Ares, deus da guerra
Escuta o seu último soldado
A guerra está perdida
Olhe em volta
A estética corrompida
O talento esquecido
A perfeição menosprezada
O virtuosismo desdenhado
E o tolo, feito marchand
Decide o que é arte
Estou farto de lutar
Cobro a paz da morte
Mas ao partir
Permita que eu leve
Uma gravura de Grassmann
Bandeira da nossa luta

sábado

AMOR


Foi um longo caminho
Demorou muito tempo
Primeiro para me conhecer
Entender que nascemos incompletos
Só então sai a sua procura
Na busca do que me faltava
E agora que a encontrei
Sinto o amor
Porque o amor é simples
Brota quando estamos completos
Como o cavaleiro e a donzela
Gravados por Grassmann
O amor está lá
Amor completo

sexta-feira

SERPENTE

No escuro da noite
O homem reza e dorme
Se acorda
No meio da escuridão
Alerta
Se ouve
O sibilar da serpente
Pânico
Se sente
O deslizar da serpente
Desespero
A serpente então volta
Para a gravura de Grassmann
No escuro da noite
O homem reza e dorme

quinta-feira

SACRIFICIO

A arte que fica
A arte que causa
A arte que pasma
A arte que encanta
A arte que emociona
É feita com o sacrifício
Do artista
Como as criaturas
Na gravura de Grassmann
Deitadas, abraçadas
Mãos estendidas para a luz
Como que sacrificadas a
Algum deus pagão
Essa arte vem do sacrifício
Para ser imortal nos dando
Prazer sem fim

quarta-feira

GUERREIRO


O caminho que outrora
Fazia tremer o mundo
Com o marchar dos guerreiros
Hoje virou picada
São poucos os Guerreiros
Que ainda percorrem o caminho
Da coragem e da honra
Da compaixão e da lealdade
Da bondade e da esperança
O caminho que Grassmann percorreu
Para trazer ao mundo seu guerreiro
Grassmann e seu guerreiro
Eles nos mostram o caminho
Vamos segui-los